Editorial com VÍDEO - Entre Madalena e o Mundo Atual: a longa luta da mulher por dignidade e verdade. - Por Esdras Trajano Leal

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Sousa,18/04/2026

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Editorial com VÍDEO - Entre Madalena e o Mundo Atual: a longa luta da mulher por dignidade e verdade. - Por Esdras Trajano Leal

Do silêncio imposto pela história à violência contemporânea, a trajetória feminina continua sendo uma batalha por respeito, igualdade e reconhecimento

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Editorial com VÍDEO - Entre Madalena e o Mundo Atual: a longa luta da mulher por dignidade e verdade. - Por Esdras Trajano Leal EdyFéNews


A história da humanidade também pode ser contada como a história de uma injustiça persistente: a tentativa contínua de diminuir, silenciar e submeter a mulher.

Essa realidade não nasceu no mundo moderno. Ela atravessa séculos, culturas, religiões e instituições. Em muitos momentos da história, inclusive, essa distorção se manifestou justamente em espaços que deveriam representar justiça, moral e espiritualidade.

Um dos exemplos mais simbólicos dessa distorção histórica aparece nas narrativas sobre Maria Madalena. Durante séculos, Madalena foi apresentada como prostituta arrependida. Entretanto, estudiosos das Escrituras afirmam que não existe nos evangelhos canônicos nenhuma afirmação direta de que ela tenha exercido prostituição. Essa interpretação teria surgido posteriormente, a partir de leituras e discursos que acabaram se consolidando ao longo do tempo.

O que os próprios textos bíblicos deixam claro, no entanto, é algo muito mais significativo. Madalena foi uma das discípulas mais próximas de Jesus Cristo. Ela acompanhou momentos decisivos da trajetória de Cristo, esteve presente na crucificação e recebeu uma missão que mudaria a história do cristianismo. Segundo os relatos bíblicos, foi justamente a ela que Jesus apareceu após a ressurreição, confiando-lhe a tarefa de anunciar aos outros discípulos que Ele estava vivo. Em outras palavras, a primeira mensageira da ressurreição foi uma mulher.

O silêncio da história

Esse fato, carregado de simbolismo, levanta uma pergunta que atravessa os séculos: por que a relevância de Maria Madalena foi diminuída ou distorcida ao longo da história? Alguns estudiosos apontam que debates teológicos e decisões tomadas em encontros históricos da Igreja — como o Concílio de Nicéia — ajudaram a consolidar determinadas interpretações religiosas e a marginalizar outras narrativas existentes no cristianismo primitivo. Seja qual for a explicação, um fato é inegável: durante grande parte da história, as estruturas sociais e religiosas foram moldadas por uma lógica patriarcal. E essa lógica, infelizmente, não ficou presa ao passado.

A violência que atravessa séculos

Séculos depois, a realidade contemporânea ainda expõe uma face brutal dessa desigualdade. No Brasil, milhares de mulheres continuam sendo vítimas de feminicídio todos os anos. Além disso, números alarmantes de agressões físicas, estupros e violência doméstica continuam sendo registrados pelas autoridades. Somente em 2025, mais de mil mulheres foram assassinadas em crimes classificados como feminicídio no país. Os primeiros meses de 2026 indicam que o problema continua sendo um dos maiores desafios sociais da atualidade. Por trás dessas estatísticas estão histórias interrompidas, famílias destruídas e sonhos brutalmente esmagados.

Desigualdade também na política e no trabalho

A desigualdade não aparece apenas na violência física. Na política, a presença feminina ainda é significativamente menor que a masculina. Mesmo com legislações que incentivam a participação das mulheres nas eleições, o número de representantes femininas em parlamentos e cargos executivos ainda está longe de refletir a realidade da sociedade.


No mercado de trabalho, a diferença salarial e a dificuldade de acesso a posições de liderança continuam sendo obstáculos enfrentados diariamente por milhões de mulheres. Além disso, muitas ainda enfrentam a chamada dupla jornada: trabalham fora e continuam sendo as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pela criação dos filhos.

Avanços e desafios

Apesar das dificuldades, avanços importantes ocorreram nas últimas décadas. Leis de proteção, campanhas de conscientização, políticas públicas e movimentos sociais têm contribuído para ampliar direitos e visibilidade para a causa feminina. A presença crescente de mulheres em espaços de liderança também representa uma mudança significativa. Mas a luta ainda está longe de terminar.

O verdadeiro sentido do Dia da Mulher

Neste Dia Internacional da Mulher, mais do que flores ou homenagens simbólicas, o mundo deveria refletir sobre o verdadeiro significado da data. Celebrar a mulher é reconhecer sua força histórica. É reconhecer que, mesmo diante de séculos de silenciamento, ela continuou construindo famílias, comunidades, culturas e civilizações. É reconhecer que ela é, antes de tudo, um ser humano pleno, igual ao homem em dignidade, inteligência e valor.

Para aqueles que insistem em sustentar discursos machistas, vale lembrar o que dizem as próprias Escrituras que muitos dizem defender. No livro de Gênesis, Deus amaldiçoa a terra por causa do homem após sua desobediência. Ao mesmo tempo, concede à mulher um dom extraordinário: o de gerar a vida dentro de si. Mais do que isso. O próprio Deus escolheu uma mulher para ser mãe de seu filho. Mas não escolheu um homem para ser pai.


E há uma verdade simples que jamais deveria ser esquecida: todo homem nasceu de uma mulher. O que realmente há para comemorar? Diante de tudo isso, surge uma reflexão inevitável. Neste dia dedicado às mulheres, além das homenagens, das flores e dos discursos, a humanidade precisa responder a uma pergunta essencial: o que realmente há para comemorar?Se ainda existem mulheres sendo assassinadas por serem mulheres. Se ainda existem meninas sendo violentadas. Se ainda existem mães lutando sozinhas para sobreviver em uma sociedade que muitas vezes lhes vira as costas.

Talvez o verdadeiro sentido desta data não seja apenas celebrar, mas continuar lutando.

Lutar por respeito.

Lutar por igualdade.

Lutar por justiça.

A todas as mulheres — mães, trabalhadoras, líderes, professoras, médicas, agricultoras, estudantes e guerreiras do cotidiano — fica aqui não apenas uma homenagem, mas um reconhecimento profundo. Vocês não pedem privilégios. Pedem apenas aquilo que sempre foi seu por direito: dignidade. E enquanto esse dia não chegar plenamente, a luta continua.

Parabéns a todas as mulheres. E que a humanidade, um dia, possa finalmente comemorar não apenas a existência delas, mas a justiça que elas merecem…

Esdras Trajano LeaL Portal EdyféNews 





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