EDITORIAL Paraíba 2026: entre a experiência e a continuidade - Por Esdras Trajano Leal
Cícero Lucena e Lucas Ribeiro representam dois caminhos possíveis para o poder estadual — mas a disputa real vai muito além dos nomes.
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A política da Paraíba já entrou, de fato, no clima eleitoral de 2026. Ainda que oficialmente falte tempo, alguns meses para a campanha, a sucessão estadual deixou de ser um assunto de bastidores e passou a ocupar o centro das articulações partidárias, dos movimentos institucionais e das conversas políticas que percorrem o estado de ponta a ponta.
No momento, dois nomes despontam com mais nitidez no horizonte da disputa pelo governo: Cícero Lucena e Lucas Ribeiro.
A possível candidatura de Cícero Lucena carrega o peso de uma trajetória política extensa. Prefeito de João Pessoa, ex-governador e ex-senador, ele representa um dos quadros mais experientes da política paraibana. Sua força política nasce de três pilares: visibilidade administrativa na capital, capilaridade eleitoral construída ao longo de décadas e uma habilidade conhecida de articulação política.
Cícero não é um novato no jogo do poder. Ao contrário. Conhece como poucos os mecanismos da política estadual, os bastidores das alianças e a complexa engenharia eleitoral que define eleições majoritárias.
Mas sua eventual candidatura não depende apenas de sua vontade política. Depende, sobretudo, da formação de um arco robusto de alianças — algo que sempre foi decisivo nas disputas pelo Palácio da Redenção.
Do outro lado surge Lucas Ribeiro, vice-governador do estado e figura central do grupo político que atualmente governa a Paraíba sob a liderança do governador João Azevêdo.
Lucas representa a estratégia da continuidade administrativa. Jovem, com presença crescente no cenário político estadual e apoiado pela estrutura do governo, ele aparece como o nome natural para dar sequência ao projeto político iniciado em 2019.
A vantagem de Lucas está justamente na força da máquina administrativa e na base política construída ao longo do atual governo. A desvantagem, por outro lado, ainda reside no desafio de ampliar sua identidade própria diante do eleitorado.
Em outras palavras: ele precisa provar que não é apenas o herdeiro de um projeto político — mas um líder capaz de sustentar esse projeto com legitimidade eleitoral. Nesse ponto reside uma das questões centrais da disputa. Enquanto Cícero carrega o peso da experiência acumulada, Lucas aposta na narrativa da renovação e da continuidade.
Mas há um aspecto que não pode ser ignorado: a disputa entre os dois não representa necessariamente um confronto entre campos políticos opostos. Em muitos aspectos, trata-se de uma reorganização de forças dentro de um mesmo ambiente político. Isso significa que prefeitos, deputados e lideranças regionais podem se dividir entre os dois projetos — não por diferenças ideológicas profundas, mas por cálculos de viabilidade eleitoral. E é exatamente aí que a eleição começa a ganhar contornos mais complexos.
Na Paraíba, as eleições não se decidem apenas nas capitais ou nas grandes cidades. Elas são definidas sobretudo no interior do estado, onde o peso das lideranças locais continua sendo determinante.
Prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais ainda funcionam como engrenagens decisivas do processo eleitoral. Quem conseguir construir a rede mais sólida de apoios municipais terá uma vantagem significativa quando a campanha realmente começar.
Até lá, discursos serão ajustados, alianças serão redesenhadas e estratégias serão recalculadas. Porque, na política paraibana, uma regra sempre se confirma: As eleições começam muito antes do calendário oficial e terminam muito depois das urnas.
Esdras Trajano Leal
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