Paraíba 2026: o jogo do poder já começou
Entre a experiência política de Cícero Lucena e o projeto de continuidade representado por Lucas Ribeiro, a sucessão estadual começa a revelar disputas internas, rearranjos de alianças e o verdadeiro tabuleiro do poder na política paraibana.
Paraíba 2026: o jogo do poder já começou — e ninguém pode fingir que não vê. Por Esdras Trajano Leal
A política paraibana entrou definitivamente em campo para a eleição de 2026. Mesmo que alguns ainda tentem sustentar o discurso de que “a eleição é apenas em 2026”, a verdade é outra: a disputa já começou, as articulações estão em andamento e os movimentos silenciosos nos bastidores revelam um cenário muito mais complexo do que aparenta.
No centro dessa engrenagem política estão dois nomes que, hoje, despontam como protagonistas naturais da sucessão estadual: Cícero Lucena e Lucas Ribeiro. Dois projetos diferentes, duas trajetórias distintas e uma disputa que pode redefinir o equilíbrio de forças no estado.
Mas antes de falar de nomes, é preciso dizer uma verdade incômoda: a eleição de 2026 na Paraíba tende a ser menos uma ruptura e mais uma disputa interna dentro de um mesmo campo político.
O peso político de Cícero Lucena.
Prefeito de João Pessoa, ex-governador da Paraíba, ex-senador da República e um dos políticos mais experientes do estado, Cícero Lucena não entra em nenhuma eleição como figurante.
Pesquisas recentes colocam seu nome na dianteira das intenções de voto para o governo estadual, algo que reflete três fatores fundamentais:
1 Experiência administrativa acumulada.
2 Alta visibilidade na capital, maior colégio eleitoral do estado
3 Capacidade histórica de articulação política.
Cícero conhece profundamente os caminhos da política paraibana. Sobreviveu a crises, enfrentou investigações, retornou ao cenário político e hoje governa a capital com influência consolidada.
Mas sua possível candidatura ao governo enfrenta um dilema central: as alianças.
A política da Paraíba nunca foi decidida apenas no voto popular. Ela é construída, sobretudo, nas composições partidárias e nos acordos de bastidores. E é exatamente nesse terreno que o prefeito da capital terá que demonstrar habilidade máxima.
Lucas Ribeiro e o projeto da continuidade.
Do outro lado está Lucas Ribeiro, vice-governador do estado e herdeiro político de um grupo que vem ganhando espaço dentro da atual estrutura de poder estadual.
Lucas representa uma estratégia clara: a continuidade do projeto político liderado pelo governador João Azevêdo.
Jovem, articulado e com forte apoio dentro do governo, ele surge como o nome natural para tentar manter o grupo governista no Palácio da Redenção.
Suas principais vantagens são evidentes:
1 apoio da estrutura administrativa estadual;
2 presença crescente no interior do estado;
3 discurso de renovação geracional.
Mas também existem desafios consideráveis.
Lucas ainda precisa ampliar seu reconhecimento eleitoral fora de determinados círculos políticos e consolidar sua imagem como líder próprio — e não apenas como continuidade administrativa.
Em política, herdar um projeto é uma coisa. Conquistar legitimidade eleitoral é outra completamente diferente.
A disputa invisível dentro da base governista
Há, porém, um elemento que poucos falam abertamente: a disputa entre Cícero e Lucas pode não ser exatamente entre governo e oposição.
Em muitos aspectos, trata-se de uma disputa dentro do próprio campo governista ampliado. ,Isso cria um cenário curioso.
Parte das forças políticas que hoje orbitam o governo estadual pode se dividir entre os dois projetos. Prefeitos, deputados e lideranças regionais já começam a calcular qual lado oferecerá mais viabilidade eleitoral.
Na política paraibana, raramente alguém se move por ideologia. Move-se por viabilidade e sobrevivência política.
O fator interior.
Outro elemento decisivo será o interior da Paraíba.
A capital influencia, mas quem decide eleição estadual é o conjunto do interior, especialmente o Sertão, o Brejo e o Agreste.
Prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais possuem peso gigantesco nas eleições estaduais. É ali que a eleição realmente se constrói — voto a voto, cidade por cidade.
Quem conseguir formar a rede mais sólida de apoios municipais chegará muito mais forte à campanha.
O eleitor e o cansaço da velha política
Existe ainda um fenômeno silencioso que pode influenciar o processo eleitoral: o cansaço do eleitor com a repetição de grupos políticos.
A Paraíba vive, há décadas, sob a influência de estruturas políticas relativamente semelhantes. Mudam-se os nomes, reorganizam-se os partidos, mas os grupos de poder muitas vezes permanecem os mesmos.
Isso não significa que surgirá automaticamente uma terceira via forte — mas abre espaço para surpresas. E a história política brasileira está cheia delas.
A verdade nua da eleição de 2026.
A disputa entre Cícero Lucena e Lucas Ribeiro não será apenas uma eleição comum.
Ela representará três grandes questões:
1 experiência contra renovação
2 liderança consolidada contra continuidade administrativa
3 capital político acumulado contra estrutura de governo.
No fim das contas, o eleitor paraibano terá que responder a uma pergunta simples: quer apostar na segurança da experiência ou na promessa de continuidade? Até lá, muitas alianças mudarão, discursos serão adaptados e adversários de hoje podem se tornar aliados de amanhã. Porque na política paraibana existe uma regra silenciosa que sempre se confirma: não existem inimigos eternos — apenas interesses permanentes.
Esdras Trajano Leal
Edy Fé News






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