Paraíba 2026: o jogo do poder já começou

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Sousa,21/04/2026

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Paraíba 2026: o jogo do poder já começou

Entre a experiência política de Cícero Lucena e o projeto de continuidade representado por Lucas Ribeiro, a sucessão estadual começa a revelar disputas internas, rearranjos de alianças e o verdadeiro tabuleiro do poder na política paraibana.


Paraíba 2026: o jogo do poder já começou




Paraíba 2026: o jogo do poder já começou — e ninguém pode fingir que não vê. Por Esdras Trajano Leal


A política paraibana entrou definitivamente em campo para a eleição de 2026. Mesmo que alguns ainda tentem sustentar o discurso de que “a eleição é apenas em 2026”, a verdade é outra: a disputa já começou, as articulações estão em andamento e os movimentos silenciosos nos bastidores revelam um cenário muito mais complexo do que aparenta.


No centro dessa engrenagem política estão dois nomes que, hoje, despontam como protagonistas naturais da sucessão estadual: Cícero Lucena e Lucas Ribeiro. Dois projetos diferentes, duas trajetórias distintas e uma disputa que pode redefinir o equilíbrio de forças no estado.


Mas antes de falar de nomes, é preciso dizer uma verdade incômoda: a eleição de 2026 na Paraíba tende a ser menos uma ruptura e mais uma disputa interna dentro de um mesmo campo político.


O peso político de Cícero Lucena.


Prefeito de João Pessoa, ex-governador da Paraíba, ex-senador da República e um dos políticos mais experientes do estado, Cícero Lucena não entra em nenhuma eleição como figurante.


Pesquisas recentes colocam seu nome na dianteira das intenções de voto para o governo estadual, algo que reflete três fatores fundamentais:


1 Experiência administrativa acumulada.


2 Alta visibilidade na capital, maior colégio eleitoral do estado 


3 Capacidade histórica de articulação política.


Cícero conhece profundamente os caminhos da política paraibana. Sobreviveu a crises, enfrentou investigações, retornou ao cenário político e hoje governa a capital com influência consolidada.


Mas sua possível candidatura ao governo enfrenta um dilema central: as alianças.


A política da Paraíba nunca foi decidida apenas no voto popular. Ela é construída, sobretudo, nas composições partidárias e nos acordos de bastidores. E é exatamente nesse terreno que o prefeito da capital terá que demonstrar habilidade máxima.


Lucas Ribeiro e o projeto da continuidade.


Do outro lado está Lucas Ribeiro, vice-governador do estado e herdeiro político de um grupo que vem ganhando espaço dentro da atual estrutura de poder estadual.


Lucas representa uma estratégia clara: a continuidade do projeto político liderado pelo governador João Azevêdo.


Jovem, articulado e com forte apoio dentro do governo, ele surge como o nome natural para tentar manter o grupo governista no Palácio da Redenção.


Suas principais vantagens são evidentes:


1 apoio da estrutura administrativa estadual;


2 presença crescente no interior do estado;


3 discurso de renovação geracional.


Mas também existem desafios consideráveis.


Lucas ainda precisa ampliar seu reconhecimento eleitoral fora de determinados círculos políticos e consolidar sua imagem como líder próprio — e não apenas como continuidade administrativa.


Em política, herdar um projeto é uma coisa. Conquistar legitimidade eleitoral é outra completamente diferente.


A disputa invisível dentro da base governista


Há, porém, um elemento que poucos falam abertamente: a disputa entre Cícero e Lucas pode não ser exatamente entre governo e oposição.


Em muitos aspectos, trata-se de uma disputa dentro do próprio campo governista ampliado. ,Isso cria um cenário curioso.


Parte das forças políticas que hoje orbitam o governo estadual pode se dividir entre os dois projetos. Prefeitos, deputados e lideranças regionais já começam a calcular qual lado oferecerá mais viabilidade eleitoral.


Na política paraibana, raramente alguém se move por ideologia. Move-se por viabilidade e sobrevivência política.


O fator interior.


Outro elemento decisivo será o interior da Paraíba.


A capital influencia, mas quem decide eleição estadual é o conjunto do interior, especialmente o Sertão, o Brejo e o Agreste.

Prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais possuem peso gigantesco nas eleições estaduais. É ali que a eleição realmente se constrói — voto a voto, cidade por cidade.


Quem conseguir formar a rede mais sólida de apoios municipais chegará muito mais forte à campanha.


O eleitor e o cansaço da velha política


Existe ainda um fenômeno silencioso que pode influenciar o processo eleitoral: o cansaço do eleitor com a repetição de grupos políticos.


A Paraíba vive, há décadas, sob a influência de estruturas políticas relativamente semelhantes. Mudam-se os nomes, reorganizam-se os partidos, mas os grupos de poder muitas vezes permanecem os mesmos.


Isso não significa que surgirá automaticamente uma terceira via forte — mas abre espaço para surpresas. E a história política brasileira está cheia delas.


A verdade nua da eleição de 2026.


A disputa entre Cícero Lucena e Lucas Ribeiro não será apenas uma eleição comum.


Ela representará três grandes questões:


1 experiência contra renovação


2 liderança consolidada contra continuidade administrativa


3 capital político acumulado contra estrutura de governo.


No fim das contas, o eleitor paraibano terá que responder a uma pergunta simples: quer apostar na segurança da experiência ou na promessa de continuidade? Até lá, muitas alianças mudarão, discursos serão adaptados e adversários de hoje podem se tornar aliados de amanhã. Porque na política paraibana existe uma regra silenciosa que sempre se confirma: não existem inimigos eternos — apenas interesses permanentes.



Esdras Trajano Leal

Edy Fé News 




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